Federação dos Trabalhadores na agricultura no Rio Grande do Sul

História e Atividades

EDUCAÇÃO: UM DESAFIO, VÁRIAS PERSPECTIVAS...



    Joceli João Schiavo

Lotário José Vier

Sonilda F.S. Pereira


1 – Avaliando a caminhada...

     Depois de tantos anos, com muitas reivindicações, muitos seminários, parece que o MSTTR, no Rio Grande do Sul, conseguiu dar seus primeiros passos ao processo não só reivindicativo, mas prepositivo do que realmente necessita, na área da educação. Já avançou no seu discurso de reivindicar uma educação voltada a valorização do meio rural, para propor uma política pública de educação e construir, propiciar espaços onde possa se discutir e realizar a educação na prática. É o aprender “fazer, fazendo” e a valorização segundo Paulo Freire dos saberes populares.
Assim, a realização de 4 seminários de educação no meio rural, chamando instituições como Sindicatos dos Professores do Rio Grande do Sul, as experiências do MST, das escolas itinerantes, bem como de professores especializados na área da Educação das universidades, como UFRGS e da UNIJUÌ, apontam para um novo momento. Este novo momento coincidiu com a aprovação das Diretrizes operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo aprovada através da resolução CNE/CEB nº 1, de 03 abril de 2002. Foi a partir das Diretrizes, que a CONTAG desenvolveu um projeto em conjunto com suas federações filiadas.
     Além dessa experiência, a Federação desenvolveu mais duas experiências ousadas que tem dado muito trabalho, tem exigido muita articulação e dinamismo, mas que vem dando bons frutos:
     Uma delas é a concretização de uma escola que possa de fato ligar a prática á teoria, onde os educandos/as apontam os temas geradores que serão aprofundadas das disciplinas. Na parte prática o/a educando/a vai para a propriedade de sua família colocar em prática os ensinamentos da escola. Esta escola foi inspirada nas casas familiares rurais e manchem este nome também aqui, embora as “nossas casas”, estejam adaptadas no meio onde funcionam.
     A outra experiência está sendo desenvolvida a partir de um grupo de professores/as das redes estadual e municipal, que vêm desenvolvendo atividades e/ ou projetos ligados ao meio ambiente, ao desenvolvimento rural sustentável ao resgate da cultura (grupos étnicos, quilombolas e indígenas), a auto-estima, a produção de mudas e sementes crioulas, entre outras atividades. Este grupo surgiu a partir da comissão de educação, que foi visitar algumas experiências diferentes, e que a partir daí surgiu à idéia de formar um grupo das escolas que tinha algum projeto diferenciado da educação profissional.   A este grupo escolhemos o nome de “Grupo das Experiências Exitosas”.

2 - As Diretrizes Operacionais de Educação Básica nas Escolas do Campo.

     A disseminação das Diretrizes Operacionais para a Educação nas Escolas do Campo aconteceu de forma a se adaptarem aos espaços já construídos e próprios para disseminar as idéias. Quero dizer que, apresentar, discutir, refletir e colocar em prática as diretrizes encontrou aqui no Estado, um terreno fértil e adequado. Tanto que conseguimos desenvolver os seminários sobre as diretrizes dentro das demandas das Casas Familiares Rurais, mais precisamente em Santo Antonio das Missões – Regional Sindical das Missões II; onde a escola já está em plena atividade, embora se adequando a realidade. E em Ijuí, onde a Casa estava em 2006, em processo de discussão entre as parcerias e da construção do projeto pedagógico e curricular.
     Pode-se dizer que foi para esta Federação a concretização de uma reivindicação de quase quarenta anos, e por isso nos sentimos comprometidos e comprometidas e propiciar um debate profundo e comprometedor nos espaços de abrangência da FETAG.
Nas CFR´S onde abrange as regionais sindicais, foi realizados dois seminários onde apresentamos o resgate histórico de como a educação vem sendo tratada no Brasil, desde o seu descobrimento até nossos dias. Além disso os/as professores realizaram trabalhos de grupos em dois momentos; Um primeiro momento onde os grupos se debruçaram nas leituras, discussão e reflexão sobre as diretrizes e, em um segundo momento outro ro trabalho onde  discutiram e avaliaram as possibilidades de por em prática nas escolas. De onde poderiam estar mudando não só os conteúdos programáticos, mas também a metodologia e a postura dos professores/as  frente á realidade local.
     Também surgiu nestas discussões, da representatividade das escolas nas comunidades. De criar em alguma disciplina um espaço onde as pessoas mais idosas pudessem vir contar um pouco da sua história. Da importância de ser a escola um espaço democrático não só das crianças, mas também dos pais e dos avós.  Neste sentido, muitas comunidades reconstruíram sua história através da visão destas pessoas descobrindo, por exemplo, de por que determinado local tem um nome. Qual a origem? Na verdade, a partir destas experiências várias comunidades puderam resgatar a sua identidade e também seus costumes e isso dá mais vida e auto-estima para esses moradores/as.
     A partir desses dois seminários, que foram com professores municipais e estaduais das regionais sindicais (as Missões II e de Ijuí), surgiu mais dois seminários nos municípios de Catuípe, Jóia e Iraí, este último da regional de Frederico Westphalen, a abrangeu mais dois municípios. Nestes Seminários conseguimos avançar  mais nas discussões e reflexões. Além de discutir em grupos as diretrizes Operacionais da Educação do Campo, também fizemos uma discussão sobre as questões de gênero e sexualidade. Questões que estão presentes no cotidiano escolar, mas que os/as professores, via de regra, não tem formação adequada para atender/entender e encaminhar estas especificidades.
     Muitos professores/as se defrontam com adolescentes que estão envolvidos em drogas, que estão com insegurança com relação a sua sexualidade seja heterossexual ou homossexual. E estes profissionais se sentem de mãos vazias. Existem profissionais nas escolas que são os/as psicopedagogos/as, mas não dão conta das demandas. As questões se manifestam diuturnamente nas salas de aula, e muitas vezes “nos pegam sem condições’ nenhuma de qualquer informação mais detalhada. Se não buscamos por conta alguma informação nem temos condições de dar aula em alguns momentos. Tais são as problemáticas que enfrentamos.” Este é o depoimento de uma professora do município de Rodeio Bonito, quando veio falar conosco no final do Seminário. Afirmou que as universidades não estão preparando profissionais para dar conta da problemática do mundo atual. Falta conhecimento do mundo rural, das suas riquezas e limitações. Pelas falas, observa-se que faltam metodologias e conhecimentos específicos do mundo rural para poder usufruir tantas riquezas. Não vale adaptações. É preciso criatividade para utilizar o que existe no campo em vez de trazer recursos da cidade para serem adaptados. Mas para isso é preciso querer mudar, gostar, respeitar, conhecer o mundo rural, e nem todos/as os/as profissionais estão preparados/as e dispostos/as a fazer isto. Foi trazido, além disso, para as discussões e reflexões da importância do/a professor/a na construção e formação da identidade na vida dos/ das educandos/as. Assim resgatamos um pouco do papel destas/es mestres e da sua auto-estima.
     Mas o que se observou, é uma grande vontade de querer mudar desses professores/as que estavam nos eventos. Sentimos e ouvimos que uma grande maioria quer mudar, quer por exemplo discutir e refletir com os pais a questão do uso dos agrotóxicos, da poluição das águas, do aquecimento global. Esta vontade deu para o MSTR, a certeza de que está valendo a pena lutar por uma educação que contemple as especificidades do rural, do campo.

3 – O Grupo das Experiências Exitosas.

     É um grupo de professores e professoras que foram se somando a partir de experiências diferenciadas que realizavam junto ás escolas, e que já estavam dando resultados positivos, de impacto e de transformações nos hábitos e costumes das comunidades no seu âmbito de abrangência.  Esse grupo começou a reunir-se na FETAGRS e teve uma primeira atividade , digamos demonstrativa na Expointer de ... Aí pela primeira vez expuseram os projetos que vinha realizando. Em geram estas escolas eram iniciativas de professores em conjunto com alguns diretore/as. Alguns tinham apoio das Secretarias municipais. Alguns tinham a experiência, porém pouco sistematizadas, outros começaram a sistematiza a partir das discussões feitas no grupo.
     Este grupo criou corpo a partir da primeira exposição e a própria FETAG inseriu na sua programação, colocando alguns recursos financeiros para  custeio de alimentação, por exemplo. Em 2005 o grupo teve um estande específico com várias experiências e realizou um seminário sobre educação rural durante todo o dia na expointer.também lançou uma revista intitulada “Revista da  Educação Rural, onde foram relatados 9 experiências de escolas municipais e estaduais e seis artigos sobre: a visão da FETAG sobre Educação Rural, Casas Familiares Rurais, Pedagogia da Alternância, Sobre a educação a partir da visão da CONTAG, sobre a visão da Política de Educação Nacional, e o ponto de vista do Secretario de Educação do Estado. Esta revista registrou a vontade e a prática de professores e alunos que foram além de seus espaços, foram criativos e demonstraram que a educação transforma, depende de como a fizermos. Tam,bem fortaleceu a FETAG como instituição representante de Trabalhadores rurais no sentido de seu compromisso com a educação dos trabalhadores e trabalhadoras rurais a ela filiadas”.
     Em 2006 ampliamos as atividades, a FETAGRS firmou um projeto com o MEC/FNDE onde  a FETAGRS criou um pólo de ... municípios onde  organizou uma parceria com as prefeituras municipais, através das secretarias de educação e da agricultura e EMATER.  Do projeto fazia parte 5 eventos onde se envolveu a secretaria de educação do Estado, palestras sobre meio ambiente, visitas e relatos de experiências das escolas, nos campos da educação e do desenvolvimento solidário e sustentável. Desta ligação mais próxima no incentivo destas escolas se fez um projeto mais amplo, propondo 8 pólos  em 39 municípios que começa a ser implantado. Observamos o total interesse e boa vontade dos professores/as dos municípios envolvidos.
     Na Expointer conquistamos um estande espaçoso onde as Casas Familiares também trouxeram suas experiências. O grupo das experiências exitosas em conjunto com a assessoria de formação da FETAG e sua diretoria editou a revista nº 2 de Educação Rural publicando novas experiências, dando notícias da seqüência das outras já apresentadas e trazendo uma proposta políco-pedagógica do meio rural. Também nesta expointer contamos com a participação da professora Doutora em educação, Marlene Ribeiro da UFRGS, que fez uma explanação da revista mas acima de tudo refletiu sobre a importância de se ter uma política nacional de educação para o campo.

3.1 – Síntese da proposta político-pedagógica – idéias em construção

     A proposta foi construída a partira das reflexões deste grupo e de distribuições de tarefa, onde cada professor/a escrevia um pouco e formamos o primeiro esboço. Depois fomos aos poucos esculpindo o que vou procurar sintetizar nesta apresentação. Na introdução procuramos colocar um pouco da história do grupo das experiências exitosas enfocando a necessidade de construir uma proposta que venha de encontro às demandas especificas das comunidades do meio rural. Já que o grupo reconhece que de modo geral as escolas possuem em sua essência pedagógica, valores, currículos e a cultura urbana, sendo esta a visão central em suas abordagens. A idéia é de que esta educação rural vá ao encontro de práticas pedagógicas que valorizem o trabalho rural como fonte de vida digna para as pessoas que vivem no campo, viabilizando e aprimorando sua produção possibilitando sustentabilidade e qualidade vida no meio rural.
     Esta proposta se compõe de seis (6) referências básicas:Diagnóstico, aspecto administrativo, recursos humanos, aspectos pedagógicos, aspectos metodológicos e avaliação.
 
  • Do diagnóstico - É fundamental que haja uma leitura da realidade rural, frente ao sistema econômico e social vigente e de suas mazelas para que daí se possam apontar e criar uma proposta pedagógica que contemple estes estrangulamentos.
  • Do aspecto legal - Existem condições de mudanças que podem ser feitas, onde os resultados e contribuições apontam para cominhos para a ruptura de antigas concepções e a criação de novos paradigmas,  têm um caminho fértil.
  • Dos recursos humanos - Entendemos que em primeiro lugar a identificação com o meio rural, é fundamental. Além do compromisso e disponibilidade  do/as educador/ educadora  de estar criando e recriando a partir dos recursos existentes no meio rural. Um exemplo é criar um cavalinho de madeira em vez de comprar de plástico. Ou desafio de dar uma aula de biologia, sentado em baixo de uma árvore... Sabemos que a formação desse professor/a muitas vezes é colocado em xeque, pois depende, atualmente, muito mais de cada profissional do que dos cursos que freqüentou.
  • Dos aspectos pedagógicos - Aqui é fundamental que professores, comunidade e secretaria de educação estejam em consonância e atentos para a promoção de atividades que venham contemplara valorização cultural , incentivando o desenvolvimento, o respeito pelo meio ambiente, despertando a auto-estima de que vivem no campo. Com isso automaticamente possibilitará a sua permanência no campo. Além disso, a importância de organizar projetos que  abordem as temáticas relevantes para a comunidade, tais como; produção orgânica, diversidades de cultura, preservação do meio ambiente, embelezamento do lugar onde mora, saúde e segurança alimentar, entre outros temas, conforme a comunidade.
  • Dos aspectos metodológicos - Apontamos aqui para a importância de ações metodológicas contextualizadas e interdisciplinares que possibilitem a plena participação e integração do/a educando, respeitando as faixas etárias e o os níveis de aprendizagens. Também apontamos 27 condições, que entendemos fundamentais na preocupação das escolas. Dois exemplos: Valorizar o “eu” e o “nos”, assim como o produto do “eu” e do “nos”, entender o erro como construção, etc.
  • Da Avaliação – Na avaliação se reforçamos a idéia  que deva ser contínua e sistemática avaliando o processo de aprendizagem do educando nos seu cotidiano. Ressalta-se também a importância da avaliação de atividades individuais e coletivos.  É de fundamental importante nas séries finais do Ensino Fundamental, levar em consideração o crescimento pessoal, social e comunitário resultado dos conhecimentos específicos de cada área.

3.2 – Casas Familiares: um sonho em construção - Depoimentos

     Em seguida, para ilustrar como o trabalho está sendo realizado, transcrevemos o depoimento do monitor da CFR da região de Ijuí descrevendo a experiência daquela região, se inserindo neste novo debate e concretizando, na prática, experiências novas de educação no espaço rural e a constituição concreta de uma CFR:
     “A educação do campo sempre foi descontextualizada, pelo fato de ela ser levada ao campo, ou seja, é uma educação urbana. E é uma educação urbana, primeiramente porque os professores não são da própria comunidade rural, não compartilham das lutas destes sujeitos”.
     Existe também, a necessidade de investir na produção de material didático para não ficarmos reféns dos discursos prontos e estereotipados que vêm de outros centros. Como os livros didáticos usados nas escolas rurais, que não consideram as realidades locais. O desafio é fazer com que a educação do campo possibilite "andarmos na frente" e não atrás. Ajudaria também trabalhar com os temas transversais, que é uma liberdade que a LDB nos traz com os Temas Locais, possibilitando problematizar a realidade imediata sem apartá-las do mundo mais amplo, que cruza cada particularidade.
     A educação do campo deve considerar uma nova realidade, marcada cada vez mais pela pluriatividade e pela diversidade de opções de vida, de produção, de consumo, de diversão e de cultura no campo. Nem por isto deve desconsiderar a memória e as tradições, que devem ser valorizadas e atualizadas no presente.
     Quanto ao calendário escolar, que a LDB defende que este seja adaptado ao meio, pode levar em consideração os períodos de chuva e de estiagem, de plantio e de colheita e a própria dinâmica de vida na comunidade, sem abrir mão das horas e dias letivos obrigatórios. Nesse sentido, a menos de dois anos, surge na nossa região, uma nova teoria pedagógica, dentro da Educação Popular – a Pedagogia da Alternância, que veio ao encontro dos anseios dos jovens do meio rural.

3.2.1 – Panorâmica da Casa Familiar Rural da Região de Ijuí.

     A Casa Familiar Rural da Região de Ijuí nasceu do trabalho persistente de um grupo de colaboradores e lideranças de várias entidades da região. Entretanto, a base de todo o processo foi coordenado pela Associação dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais da Regional Sindical de Ijuí, sob o comando do aguerrido sindicalista, Carlos Karlinski, que após dois anos de visitas em outras Casas, estudos e reuniões com várias lideranças do meio rural dos municípios que integram a Associação, foi inaugurada a sonhada Casa Familiar Rural da Região de Ijuí, no dia 18 de Julho de 2005.
     A CFR iniciou suas atividades junto ao Instituto Regional de Desenvolvimento Rural (IRDR), departamento da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, localizado no interior do município de Augusto Pestana. A coordenação dos trabalhos está sendo desempenhada pelo Monitor Joceli João Schiavo, Técnico Agrícola a mais de 25 anos, com graduação em Bacharel em Contabilidade e no Curso de História.
     Os dezoito jovens, sendo duas moças, que compõem a Casa, são oriundos dos municípios de Ajuricaba, Augusto Pestana, Catuípe, Condor, Coronel Barros, Ijuí, Nova Ramada e Panambi.
     O processo educacional dos jovens está alicerçado na metodologia da Pedagogia da Alternância. “A gente faz diagnósticos da situação na propriedade e vamos à Casa Familiar Rural buscar soluções, julgando suas ações e tomando a decisão de mudanças, através do melhoramento das atividades desenvolvidas, agregação de valor ao produto, aumento da renda e melhora da qualidade de vida”, explica a Jovem do Projeto, Sara Dallabrida, filha de pequeno produtor do município de Ijuí.
     “Coordenar esse projeto, está sendo um grande desafio, pois se trata de um processo educacional de jovens e todo o cuidado na orientação ainda é pouco. Temos a missão de mudanças, pois há pouco tempo atrás, que não tinha idéia para estudar tinha que ficar na roça. Temos a convicção que independente do espaço que a pessoa habite, a educação é essencial. Dessa forma, esses jovens rurais, devem ser protagonistas de uma educação diferenciada e renovada, onde possam ser preparados para exercer a cidadania, se capacitando para serem pessoas empreendedoras, buscando sempre a qualidade de vida, melhor renda e o bem estar social, em seu local, que é o meio rural”, frisa Schiavo,  Monitor da Casa. “Já ocorreram várias mudanças na minha propriedade desde que ingressei na Casa Familiar Rural. Agora estou construindo um projeto para desenvolver na propriedade a fim de melhorar a qualidade de vida e renda”, conta Luiz Henrique Rietterbusch, jovem procedente de Nova Ramada.
     Importante destacar que o projeto da Casa familiar Rural, conta com a parceria de diversas entidades da região, como os Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais que integram a Regional Sindical de Ijuí, Emater municipais e Emater Regional de Ijuí, Cotrijuí, Ceriluz, Sicredi, Fetag, Prefeituras Municipais, 36ª. Coordenadoria Regional da Educação, Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul e Senar, que dão sustentabilidade técnica e financeira para o andamento dos trabalhos. Praticamente são dessas entidades que a Casa busca profissionais para capacitar os jovens. Destaca-se a importância e a colaboração dos produtores da região, onde cedem suas propriedades como laboratórios de pesquisa e de observação para os jovens. A CFR da Região de Ijuí é presidida pelo sindicalista Carlos Karlinski e a mantenedora da Casa é Associação da Casa Familiar Rural da Região de Ijuí. Esporadicamente, os pais dos jovens são convocados pela direção da casa para debater os assuntos pertinentes que envolvem a educação de seus filhos, além de uma prestação de contas sobre o andamento do projeto.
     A CFR não é só um ambiente de estudo, é um local de viver em constante aprendizagem e de viver em comum. Pode-se dizer que alguns fatos inusitados acontecem no desenvolver das alternâncias. Nesse dois anos de casa, a evolução dos jovens é notória em todos os sentidos (comunicação, postura, posicionamento, liderança, entre outros).
A CFR da Região de Ijuí tem o propósito de propiciar algo inovador na região na educação dos jovens: formar cidadãos conscientes e empreendedores, onde possam ser felizes naquilo que fazem, além de, incessantemente, buscar qualidade de vida, renda e motivação de trabalhar no que é seu, dignificando seu trabalho. Buscamos capacitar agricultores, líderes rurais identificados nas suas comunidades, pois a conjuntura exige cada vez mais a profissionalização da agricultura. Queremos que o jovem diga: “Eu tenho profissão – sou agricultor qualificado”.
A oportunidade de participar dos cursos de capacitação, com ênfase na Educação do Campo, junto a Contag e ministrado por profissionais competentes, possibilita desenvolver uma série de conteúdos junto aos jovens da CFR, onde potencializa o debate e enriquece as temáticas abordadas nas Alternâncias.
     Na verdade, estamos praticando pequenas ações juntos aos jovens rurais, oportunizando uma melhora na qualidade de vida e bem estar social. No entanto, existe a necessidade de medidas governamentais, tanto a nível federal, estadual e municipal, priorizando o ensino voltado as características de cada região e com profissionais capacitados e comprometidos com as comunidades. Os governos não podem mais se dar ao luxo de encomendar propostas pedagógicas mirabolantes e até importar estas propostas de alhures, sem um diálogo com as populações, com seus problemas e com suas potencialidade.”.



4.Bibliografia:

  1. Confederação Nacional dos trabalhadores  na Agricultura - CONTAG EDUCAÇÃO DO Campo. Entendendo as Diretrizes Operacionais para as escolas do Campo. CONTAG.Brasília,2002.
  2. Secretaria de Ministério inclusão Educacional da Educação.Diretrizes operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo.Resolução CNE/CEB Nº 1, de 3 de abril de 2002.Grupo de Trabalho de Educação do Campo instituído pela Portaria nº 1.374, de 3 de junho de 2003.
  3. Revista Educação Rural – Órgão da Federação e dos Sindicatos dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul. Ano I – Nº 1 – Setembro/2005.
  4. Revista Educação Rural – Órgão da Federação e dos Sindicatos dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul. Ano II – Nº 2 – Setembro/2006.
  5. Educação do campo; semeando sonhos...cultivando direitos. Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – CONTAG/Maria do Socorro Silva, Brasília/DF,2004.