Federação dos Trabalhadores na agricultura no Rio Grande do Sul

Histórico da 3ª Idade

O MSTTR E OS/AS APOSENTADOS/AS

    As conquistas previdenciárias, consequência da luta do MSTTR, mudaram o comportamento, hábitos e costumes de muitos/as trabalhadores/as rurais. A contemplação da aposentadoria aos 55 e 60 anos para mulheres e homens, respectivamente, aumentou muito o número e o contingente de trabalhadores e trabalhadoras rurais aposentados/as. A garantia do salário mínimo possibilitou maior autonomia e independência financeira, garantindo maior acesso ao consumo e se dando o direito de buscar lazer, diversão, viagens de turismo, passeios, enfim, curtindo situações que a vida, de certa forma, havia lhe negado até aquele momento.

UMA NOVA CONJUNTURA

    Um outro aspecto que justifica o envolvimento do MSTTR na organização dos trabalhadores/as rurais aposentados/as é o aumento da expectativa de vida que faz crescer o número de pessoas idosas na população brasileira. A faixa etária de 60 anos ou mais é a que mais cresce em termos proporcionais. Segundo projeções estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 1950 e 2025, a população de idosos no país crescerá 16 vezes contra cinco vezes a população total. Essa projeção nos colocará, em termos absolutos, no patamar de sexta população de idosos do mundo, isto é, acima de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais.
    Questões como proteção social, condições dignas de sobrevivência, assistência médica eficiente no momento em que as doenças se agravam e os direitos humanos na terceira idade são questões que ainda exigem muita atenção. Nesta perspectiva, planejar medidas de prevenção, efetivar políticas de atenção voltadas para a pessoa idosa e integrá-las, da forma mais ampla possível, nas políticas sociais, torna-se urgente.
    As conquistas da previdência, por parte do MSTTR, portanto, não mais contemplam o/a trabalhador/a rural para morrer dignamente, como era antes de 1988, mas trouxeram condições para garantir uma vida digna que, inclusive em função desta qualidade de vida, aumentam consideravelmente sua própria expectativa de vida.

HISTÓRIA DE ORGANIZAÇÃO, LUTAS E CONQUISTAS

    Em função desta conjuntura, surgem novas necessidades e novas demandas. O MSTTR, atento aos problemas sentidos e vividos, busca contemplar esta nova realidade garantindo novas conquistas e avanços nos direitos devidos a este segmento que tanto trabalhou para construir nossos municípios, nosso Estado e nosso País. Salientamos aqui as principais:
  • Em 1997, pela lei estadual 10.982, garante o direito ao desconto de 40% no valor das passagens intermunicipais para dois/duas aposentados/as por linha;
  • Em 1998 é criada a Comissão Estadual de Trabalhadores/as Aposentados/as Rurais para garantir a organização, o debate e o encaminhamento específico de reivindicações e lutas deste segmento; A partir daí começam a acontecer diversos encontros de aposentados/as nos municípios, contemplando debate dos problemas, celebrações, palestras, diversão e lazer;
  • Em 1999 acontece o 1º encontro nacional buscando políticas nacionais que beneficiem este público em todas as instâncias;
  • Em 2000 e 2001 são realizados seminários estaduais que definem as grandes necessidades e reivindicações dos/as aposentados/as naquele momento;
  • Em 2002 estes debates culminam numa grande mobilização estadual que reuniu 6.000 aposentados/as rurais exigindo maior valorização do salário mínimo, gratuidade dos remédios de uso contínuo e ampliação do acesso ao desconto nas passagens de ônibus intermunicipais;
  • Em 2003 é aprovado o estatuto do idoso, que é fruto dos grandes debates realizados pelos idosos de todo País.
  • Em 2004 é criada a logomarca da organização específica no MSTTR por ocasião do Seminário Estadual que encaminhou novas demandas de lutas;
  • Em 2005 a Comissão Estadual de Trabalhadores/as Aposentados/as Rurais, incentivou e coordenou (em convênio com o SENAR) a realização de diversos encontros regionais de aposentados com presença de mais de dez mil participantes.
  • Em 2006 e 2007 foi contínuo o esforço para organização das comissões municipais, encontros municipais e regionais;
  • Os anos a seguir foram de luta constante pelos direitos do trabalhador/a rural aposentado, pela implantação, na prática do Estatuto do Idoso, especialmente na garantia do acesso ao medicamento de uso contínuo e no acesso ao transporte.
  • Já em 2011 os três Estados do sul do Brasil, ou seja, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, se uniram e debateram questões pertinentes aos três em relação a terceira idade, projetando um debate maior em torno da sucessão rural.
  • Agora, em 2012, ano marcado pela 1ª Plenária Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras da Terceira Idade e Idosos Rurais, oportunidade e espaço de debate das grandes questões desta geração, volta-se para a importância do/a aposentado/a rural para a vida do Sindicato e a importância do Sindicato na vida do/a aposentado/a. Também divulgação e apropriação dos direitos estabelecidos no Estatuto do Idoso e alerta as questões que envolvem o crédito consignado.
    O MSTTR, portanto, continua sendo fundamental e bem presente na construção de uma vida mais digna do trabalhador e trabalhadora rural, tanto antes quanto depois de se aposentar. Porque a aposentadoria, hoje, não é mais o fim de uma vida, mas o início de uma nova etapa que deve representar novas experiências e maior segurança para quem já trabalhou de sol a sol durante toda a sua vida. Os Sindicatos de Trabalhadores Rurais, as suas regionais, a FETAG e a CONTAG, devem estar atentos a estes novos desafios e necessidades.