Federação dos Trabalhadores na agricultura no Rio Grande do Sul

Caminhada da Juventude Rural no MSTTR

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CEJTTR durante Congresso Estadual em Santa Maria

    A juventude sempre esteve presente na construção e na luta do Movimento Sindical dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais - MSTTR. O processo de mobilização para criação da FETAG foi impulsionado e coordenado pela Frente Agrária Gaúcha (FAG), do qual participava a Juventude Agrária Católica (JAC), que foi uma ferramenta estratégica na organização das atividades nos municípios do interior do Estado.
    No dia 06 de outubro de 1963, é fundada a Federação dos Pequenos Proprietários e Trabalhadores Autônomos do Rio Grande do Sul, que passaria a ser a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (FETAG).
    Em 1968, foram criados o Instituto de Educação Rural (para os rapazes) e as Escolas de Educação Familiar (para as moças), ambos vinculados à FAG, que, no entanto, tinha uma relação muito estreita com a FETAG. Os cursos destinados aos rapazes visavam “preparar cidadãos dignos”, enquanto as moças eram capacitadas para atividades “do lar”. Assim, no período de 1968 a 1977, o Instituto de Educação Rural formou 1.349 rapazes, enquanto a Escola de Educação Familiar capacitou 23.648 moças no período de 1968 a 1982.
    Em 1975, a FETAG dividiu o Estado em nove Regionais Sindicais e reestruturou o Departamento de Educação com o objetivo de “formar e capacitar as lideranças para conscientização do associado e dos jovens, possibilitando que esses participem do movimento sindical.” (Livro FETAG-RS: 1963 a 2003). Neste sentido, a criação do Departamento de Educação Rural marca a década de 70 como período de forte investimento na formação sindical, política e profissional dos agricultores, com especial atenção para a juventude rural mediante realização de inúmeros “Cursos de Liderança Jovem”. Essas atividades trabalhavam, basicamente, temas como estrutura agrária, relações humanas, personalidade, sindicalismo e associativismo. Realizaram-se, ainda, Congressos de Jovens em vários municípios do RS, marcados, porém, muito mais pelo cunho religioso do que de organização e de formação.
    A década de 80 é fortemente marcada pelo processo de abertura política e efervescência da organização sindical, política e partidária no Brasil. A FETAG não passa imune a esse processo. Neste período, os temas fortes foram saúde, previdência e garantia dos direitos trabalhistas e sindicais para os trabalhadores rurais. Com o intenso crescimento das atividades de mobilização e pressão política pela redemocratização do país, o trabalho específico com jovens fica em segundo plano. Foi uma década bastante marcada pelo êxodo rural, especialmente de jovens, que migravam para as cidades em busca de emprego e renda mensal.
    O MSTTR percebe esse afastamento dos jovens do debate e da organização sindical e inicia um forte processo de discussão para reverter tal situação. A política sindical da Federação é reorientada junto à base e aos dirigentes e passa a buscar trabalhos específicos com a juventude.
    O campo começava a sentir os problemas do êxodo massivo da juventude para as grandes cidades, que estava levando a um envelhecimento do movimento sindical motivado pela baixa participação de jovens na base. Fruto desta discussão surge, no final da década de 80, a proposta de criação de uma Comissão Estadual de Jovens. O debate também está ligado diretamente ao trabalho do educador Dionísio Wechenfelder, que assessorava diretamente a Comissão Estadual e coordenava a maioria dos trabalhos nessa área.
    Mesmo estando presente em todos os momentos da história do MSTTR, a juventude trabalhadora rural não tinha seu próprio espaço ou sequer era protagonista de suas ações. Os jovens sempre foram convidados para os cursos de formação e para as atividades de mobilização, mas nunca eram os sujeitos da ação. Por isso, a criação da Comissão Estadual de Jovens Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (CEJTTR) é considerada a primeira grande conquista no MSTTR. A partir dela começa a trilhar seu próprio caminho, debater problemas comuns, propor alternativas e ajudar a construir as soluções. Enfim, a juventude rural gaúcha entra para a história do MSTTR.
    Em 1998, a juventude rural partiu para a consolidação de sua organização com a realização do I Congresso Estadual de Jovens Trabalhadores Rurais, em Marau, na Regional Sindical de Passo Fundo. O tema do congresso era “Os Jovens Lutando por uma Educação Voltada à Realidade do Trabalhador e da Trabalhadora Rural e por uma Agricultura Ecológica e Alternativa Preservando a Vida”.
    A partir disso a CEJTTR, passou a perceber a importância de ter um representante na diretoria da FETAG, que pudesse representar e construir alternativas para fortalecer o trabalho da juventude rural. Além disso, iniciou-se a discussão sobre criação da Comissão Nacional de Jovens Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (CNJTTR) na qual o Rio Grande do Sul foi pioneiro. Tivemos êxito neste sentido na medida em que conquistamos espaço para um representante dos jovens trabalhadores rurais na diretoria da CONTAG.
    Atualmente a Comissão Estadual de Jovens Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais - CEJTTR é uma instância de organização da FETAG-RS, representada por jovens das 23 Regionais Sindicais e vem buscando estabelecer ações estratégicas de consolidação do trabalho de juventude no movimento sindical..
    A juventude do Rio Grande do Sul, através de sua organização, vem avançando na conquista de políticas públicas voltadas ao jovem rural. Demonstrado através do trabalho e do esforço, o desafio é manter sempre acesa a chama da ousadia na busca por melhores oportunidades de acesso à educação, ao lazer e à qualificação profissional. A cada etapa vencida, o jovem demonstra coragem em vencer na vida, com marcas pela participação e pela construção de propostas concretas de melhoria de vida do jovem agricultor, viabilizando sua permanência no campo com dignidade